Podem vir os dias em que o tempo não chega para o tanto a fazer. As horas em que as preocupações consomem a alma mais tranquila. Os minutos que se eternizam por tanto demorarem a correr.
Podem vir as alturas menos boas em que tudo parece desmoronar-se à volta. Pode vir o terramoto de emoções contraditórias que o (meu) espírito é capaz de albergar.
Pode vir o mundo e tudo o que de menos bom lhe pertence. Pode vir o universo inteiro e reclamar-me a presença num outro lado distante.
Pode vir tudo isso e muito mais, porque haverá sempre um minuto que me permita marcar com palavras o que de tão grande e de tão belo se aloja a cada recanto do meu coração. Haverá sempre um minuto para mostrar ao mundo o que de tão gritante guardo em mim. Haverá sempre um minuto para ti. Haverá sempre um minuto para mim em ti. Haverá sempre um minuto para ti em mim. Haverá sempre, sempre, um minuto para nós. Porque o relógio dança ao nosso ritmo :)
Sempre. Desde que os meus olhos, pela primeira vez, alcançaram esse jeito tão tipicamente teu. Desde que o barulho passou a ser música, nas tuas mãos que me tapam do ruído. Desde que a tua mão passou a ser fio condutor, por entre as linhas cortadas que antes me prendiam caminhos nas pernas cansadas.
és-me tudo
Agora. Porque já te vi de ângulos diversos, controversos e dispersos, de olhos cansados, fechados e molhados. Porque deixei do outro lado da porta os olhos que me fazem ver-te simples e mortal e vejo-te com o que bate cá dentro e me faz querer ter-te.
és-me tudo
Mesmo quando me calo, e te olho até que o sono me consuma qualquer réstia de força.
E porquê? Eu digo-te. E explico-te, sempre que estou contigo. :)

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